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Qual a importância da permanência e reinserção do idoso no mercado de trabalho?

Clínica Celebrar - Psicologia e Bem-Estar

Solange Alves Silva Feitosa e Lucineide Pereira da Silva

Artigo publicado no Portal do Envelhecimento - Revista Portal de Divulgação. Acesso: http://www.portaldoenvelhecimento.com/revista-nova/index.php/revistaportal/article/view/415 

Artigo publicado no site Psicologado Artigos. Acesso: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-organizacional/qual-a-importancia-da-permanencia-e-reinsercao-de-idosos-no-mercado-de-trabalho


Propomos neste espaço uma reflexão sobre a importância de manter e/ou reinserir os idosos no mercado de trabalho, e refletir e dialogar com opiniões de alguns autores e entrevistados, que muito contribuíram para esse trabalho. Esperamos elucidar a importância do preparo para uma não tão distante realidade: a demanda de idosos querendo e precisando trabalhar, e um mercado de trabalho com escassez de força de trabalho qualificada, na qual a contribuição de idosos pode ser relevante.  
Na reflexão sobre o trabalho, o idoso e o sentido da aposentadoria para quem trabalha, e para quem permanece fora do mercado de trabalho, utilizaremos como ‘pano de fundo’ as opiniões de Ingrid, aposentada, assistente social, que continua trabalhando; de Ângelo, funcionário público, aposentado há 12 anos, que atualmente não trabalha; e de Alexandre Kalache, 67 anos, aposentado desde 2007 na OMS, médico e pesquisador em Saúde Pública, que estuda o envelhecimento há mais de 30 anos.*1
Ângelo, 75 anos de idade, casado, ensino médio completo, três filhos casados que não residem com ele, atualmente mora com a esposa e está aposentado há 12 anos. Quando perguntamos sua profissão respondeu: “aposentado”.  
Ingrid, 61 anos de idade, solteira, assistente social, pós-graduada, reside sozinha e não tem filhos, trabalha há 12 anos na mesma empresa, mesmo depois de se aposentar (há três anos). Para ela, “o meu trabalho é a coisa mais importante na minha vida, pois me proporciona a possibilidade de continuar viva pessoal e profissionalmente”. 
Perguntamo-nos se o trabalho tem realmente grande significado na vida das pessoas, independentemente da faixa etária. E para o idoso? Existem outros motivos para continuar trabalhando? 
Conforme Kubo e Gouvêa (2012), o trabalho é visto como forma de obter renda, atividade que proporciona realização pessoal, status social e possibilidade de estabelecer e manter contatos interpessoais, entre outros. 
Para os estudiosos do envelhecimento, a importância do trabalho na vida do idoso aposentado pode estar no fato de entrar novamente no mercado, possibilitar interação e participação na vida social, ou seja, sair da condição de isolamento e ter a oportunidade de convívio intergeracional. O trabalho tem significado forte na cultura brasileira, principalmente na integração e pertencimento. Na opinião de KALACHE (2012):  
[...] existe uma nova transição: da vida adulta para uma velhice ativa, com redução do ângulo descendente da curva de declínio; essa transição eu chamo de gerontolescência.  
Ele afirma ainda que para essa fase o idoso poderia se reinventar e se preparar para os próximos anos: 
Por que não criarmos uma sociedade em que todos possam tirar um ano sabático e se reinventar, protelando a aposentadoria talvez de 65 anos para 75? Pela adoção de mudanças na sociedade que alterem o formato do curso de vida, pela redistribuição das atividades de aprendizagem e trabalho ao longo de toda vida e pela criação de oportunidades que ofereçam qualidade de vida. (2012)  
Afirma que quanto mais cedo iniciarmos e estimularmos o aprendizado e a interação, melhores serão os resultados com relação ao envelhecimento ativo. Concordamos com a importância de garantir os direitos de quem quer e, muitas vezes, precisa trabalhar, mas existem outros indícios importantes por ter e manter idosos no mercado de trabalho? Para Ingrid, continuar trabalhando é [...] necessidade, pois faço questão de auxiliar minha família financeiramente, e ainda pretendo comprar meu imóvel.   O mesmo respondeu Ângelo:   
“[...] é tudo, o sustento para quem não tem outra renda, só vivi em função do trabalho. Sempre gostei de trabalhar, mas a necessidade sempre falou mais alto; filhos para sustentar, nem sempre pude escolher os meus trabalhos”.   
Destacamos a opinião de Ângelo a respeito do trabalho, pois indica o sustento para sobreviver. Formalmente, no Estatuto do Idoso (art. 3º), o trabalho, a cidadania e a dignidade são direitos dos idosos. O capítulo VI, artigo 28, reforça a importância do poder público em estimular programas que visam à:   
Profissionalização especializada para os idosos, aproveitando seus potenciais e habilidades para atividades regulares e remuneradas;   
preparação dos trabalhadores para a aposentadoria, por meio de estímulo a novos projetos sociais, conforme seus interesses, e de esclarecimento sobre os direitos sociais e de cidadania; estímulo às empresas privadas para admissão de idosos ao trabalho”. (Estatuto do Idoso, capítulo VI, artigo 28, 2003).  
O Estatuto do Idoso garante legalmente o direito do idoso ao trabalho e mostra a importância de políticas públicas e privadas. Mas observamos que existem poucas ações que promovem a reinserção do idoso no mercado de trabalho, a partir de capacitação profissional e sensibilização da sociedade em fazer face à nova demanda. Ângelo mostrou, em determinado momento da entrevista, a tendência de se reinserir no mercado de trabalho:  
Se oferecessem um salário digno voltaria a trabalhar. É claro que não vou querer ganhar o mesmo do que quem tem estudo, mas pelo menos sair de casa para ganhar um salário digno.   
Observamos a tendência, por parte de algumas empresas, de incluir idosos no quadro de funcionários, índice pequeno em comparação ao número de empresas por porcentagem de funcionários com idade igual ou maior que 60 anos versus de outras idades. O gerente do supermercado Pão de Açúcar mostra a importância social de criar projetos de inclusão de idosos no mercado de trabalho. 
Ao todo, o Grupo Pão de Açúcar possui 1,7 mil profissionais com 60 anos ou mais trabalhando em suas quatro bandeiras, o que representa pouco mais de 1% da força de trabalho total [...] na época em que foi instaurado o programa, a questão dos trabalhadores idosos ainda não era discutida em profundidade, mas que hoje em dia [é] obrigação moral das empresas contratarem esses profissionais. (NASCIMENTO, 2012)  
É preciso criar novas estratégias de capacitação e educação continuada para os idosos permanecerem ou serem reinseridos no mercado de trabalho. Alexandre Kalache relatou, em uma de suas entrevistas, o quanto é relevante aprender novas habilidades para continuar vivendo em sociedade. Em sua opinião, reinventando-se, não só internamente, o idoso mostra para a sociedade que tem algo a dizer e a contribuir:  
É muito importante que a sociedade e as políticas sociais do país invistam nessas oportunidades, porque o próprio Brasil está mostrando nessa fase de crescimento econômico falta de mão de obra. (2012)  
Estudos sobre idosos e mercado de trabalho confirmam que a maior participação e permanência nos últimos anos está ligada à qualificação e competência. Afirma Kalache que “trata-se de pessoas que aprenderam algo ao longo da vida e que agora estão sendo reaproveitadas porque o país está precisando”.  
Em duas cidades, São Carlos e Araraquara, localizadas no interior do Estado de São Paulo, aumentou a contratação de profissionais idosos na região. 
[...] idosos estão ganhando espaço no mercado de trabalho. No ano passado, o número de empregados nessa faixa etária aumentou 11%. Esse crescimento vem ocorrendo nos últimos dez anos em todo o país, segundo pesquisa do Ministério do Trabalho. Em São Carlos , o setor de serviços é o que mais contratou nos últimos três anos. (site G1, 2012)   
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008), em 2050 a população infantil representará 15% da população total do Brasil, e a população idosa ultrapassará os 22%. Esse aumento na expectativa de vida do brasileiro será impactante em diversos setores, como educação, cultura, mercado de trabalho, transporte público, saúde pública e privada, turismo e previdência social.  Como começar a nos preparar para manter e reinserir os idosos, e cada um de nós, como força de trabalho? Isso ajudaria a garantir a sustentabilidade do mercado de trabalho.  
O Brasil ainda é um país com a maioria da população jovem, ainda temos elevado percentual de jovens no mercado de trabalho, mas temos que nos preparar para o envelhecimento da população, principalmente em relação à pressão sobre a Previdência. Entre as iniciativas válidas está apoiar a implementação de recursos com previdência complementar. Precisamos pensar e criar mecanismos que tornem o sistema mais sustentável (BÁRBARA COBO, pesquisadora de indicadores sociais do IBGE, 2012).  
Teremos condições econômicas para continuar fornecendo essa “ajuda”? Para muitos idosos, a Previdência acaba sendo apenas parte do valor que precisa para sobreviver, e o que recebem é reconhecido como “ajuda”, além de ser o motivo que leva os idosos a permanecerem no mercado de trabalho, ou seja, a necessidade de ter uma renda maior para manter ou melhorar a qualidade de vida. Talvez esse seja o motivo para a maioria das pessoas se frustrar com a aposentadoria “tão desejada”, e que logo após o alcance e formalização do processo na Previdência Social devem continuar a trabalhar para complementação de renda.  
Para muitos é importante trabalhar. O trabalho, além de ser um meio de garantir o sustento, é, culturalmente, forma de o brasileiro cultivar o sentimento de pertença à sociedade. Ângelo sente falta de trabalhar como dever social: “Sinceramente, sim. Sinto falta no final do dia da sensação de dever cumprido”. 
Pesquisas sobre o sentido do trabalho, desenvolvidas por diversos estudiosos com gestores, alunos de cursos de especialização em São Paulo e Porto Alegre (Morin, Tonelli & Pliopas, 2003; Oliveira, Piccinini, Fontoura & Schweig, 2004; Tolfo & Piccinini, 2007), demonstraram que o trabalho continua a ser essencial na vida das pessoas, e que buscam, ao mesmo tempo, utilidade para suas atividades dentro das organizações e para a sociedade. Além disso, valores como variedade na natureza das tarefas, aprendizagem, autonomia e reconhecimento, e a função de garantir a sobrevivência e segurança, foram citados como fundamentais para o trabalho ter sentido.  
Ao refletir sobre os resultados, associando a questão do mercado de trabalho ao idoso, percebemos que além da necessidade de se sentir inserido, existe iniciativa das mídias e das empresas de incentivo à preparação do mercado para receber esse “novo” trabalhador.

Considerações  
Em todas as entrevistas apresentadas, foram ressaltados os benefícios para o idoso aposentado que continua trabalhando e o motivo pelo qual, muitas vezes, apesar do desejo, estão fora do círculo produtivo.  
Durante a entrevista Ingrid demonstrou orgulho ao relatar que continua trabalhando, e sente-se em plena forma para continuar em atividade. Outro ponto a ser ressaltado é o fato de a mesma possuir planos para o futuro. Observamos que a entrevistada reconhece e valoriza sua importância para o mercado de trabalho, e a importância do mercado de trabalho em sua vida.  
A definição de trabalho mostrou diferentes visões sob o ponto de vista de perfis diferentes de idosos; Ângelo, Ingrid e Kalache, pessoas com histórias de vida diferentes, mas que possuem percepção muito próxima sobre o significado do trabalho, veem o trabalho como forma de proporcionar ao homem a concretização dos sonhos, de desenvolver habilidades, atingir metas e objetivos de vida, e aprender a conviver com outras pessoas. Forma de expressão significativa em todos os aspectos da vida, enfim, modo de se reinventar, independentemente da idade.  
Quando escolhemos o tema percebíamos a necessidade de discorrer sobre ações imprescindíveis para uma demanda que deverá surgir nos próximos anos, mas não tínhamos ideia da angústia e interrogações que surgiriam no decorrer do estudo.  
Ângelo, por exemplo, iniciou a entrevista em postura de defesa, como se esperasse, talvez, uma crítica por não estar trabalhando, como se tivesse que justificar para ele mesmo o motivo de não trabalhar, ao expressar o cansaço gerado durante o grande período de trabalho e o desânimo pela falta de oportunidades.  
Por que o trabalho tornou-se uma cobrança interna tão grande? Por que é tão difícil simplesmente viver com o que conquistou e só voltar a trabalhar caso precise ou queira?  
As pesquisas sobre o tema indicam ações urgentes, agora e futuras, em decorrência do aumento acelerado no crescimento dos idosos em nosso país. Indicam o baixo investimento do poder público e privado, em programas e/ ou projetos que visam ao estímulo das demandas dos idosos, previstos na Constituição Federal e no Estatuto do Idoso.  
A exigência de força de trabalho continuará existindo, e as empresas não terão outra saída senão adequar-se para manter os empregados que estão envelhecendo e, simultaneamente, receber novos candidatos. Por isso, a importância de projetos que visam à integração entre jovens e idosos, para somar forças e criar uma nova cultura e modelos de trabalho, que incluam expectativas, dúvidas e o desejo de colocar em prática conhecimentos adquiridos desde o primeiro dia de aula.  
Acreditamos que o curso de Gerontologia trará aprendizado nas áreas biológicas, psicológicas e sociais, fornecendo bases para ações consistentes na área do trabalho e envelhecimento.   

*1 As opiniões de Alexandre Kalache são recortes de entrevistas. A primeira, intitulada “Envelhecimento ativo não é só do ponto de vista físico”, publicada na Folha de S.Paulo, em 2012; a segunda, “Entrevista com Kalache sobre envelhecimento”, na rádio CBN (on-line), em 2012; e a terceira, “Você vai viver 30 anos mais do que seus avós. E daí?”, no evento TEDxUFRJ, em 2012. As entrevistas com Ingrid e Ângelo, nomes fictícios, foram feitas pelas autoras em São Paulo, 2013. 

Referências:

COBO, Barbara. Entrevista: Em 50 anos, percentual de idosos mais que dobra no Brasil. Publicado em 30/04/2012. Site G1. Disponível em: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/04/em-50-anos-percentual-de-idososmais-que-dobra-no-brasil.html. Acesso em: 06/04/2013.

COMUNICAÇÃO SOCIAL. Sala de Imprensa. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – 2008. A população brasileira envelhece em ritmo acelerado. Disponível em: http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnotici a=1272. Acesso em: 08/05/2013.

COMUNICAÇÃO SOCIAL. Sala de Imprensa. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – 2000. Perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios. Disponível em: www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/25072002pidoso.shtm . Acesso em: 08/05/2013.

COSTA, Silvia. Visão provocativa de Alexandre Kalache no TEDxUFRJ: Você vai viver 30 anos mais do que seus avós. E daí? Palestra proferida no evento TEDxUFRJ, dia 18 de dezembro de 2012,  Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Disponível em: http://longevaidade.blogspot.com.br/2012/12/visao-provocativa-de-alexandre-kalache.html. Acesso em: 01/06/2013

GENESTRETIE, Guilherme. Envelhecimento ativo não é só do ponto de vista físico, entrevista com Alexandre Kalache ao jornal Folha de S. Paulo, publicada em setembro de 2012. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/1150118-envelhecimento-ativo-nao-eso-do-ponto-de-vista-fisico-diz-medico.shtml. Acesso em: 01/05/2013. Idosos aproveitam mercado aquecido para voltar ao trabalho. Publicado em 24/09/2012. Disponível em: http://g1.globo.com/sp/sao-carlosregiao/noticia/2012/09/idosos-aproveitam-mercado-aquecido-para-voltar-aotrabalho.html. Acesso em: 19/05//2013.

KALACHE, Alexandre. Entrevista com Kalache sobre envelhecimento 50+CBN - Como chegar (e passar) dos 50 anos em cinco lições - Rádio CBN (online). Publicado em 31/03/2012. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=tAJGKmUbZjw– Acesso em 17/05/2013.

KUBO, Sergio Hideo; GOUVEA, Maria Aparecida. Análise de fatores associados ao significado do trabalho. Rev. Adm. (São Paulo), São Paulo, v. 47, n. 4, Dezembro. 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S008021072012000400003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 01/06/2013 http://dx.doi.org/10.5700/rausp1057.

MORIN, E., TONELLI, M. J., & PLIOPAS, A. L. V. (2003). O trabalho e seus sentidos [CD-ROM]. In Anais do XXVIII Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (pp. 283). Porto Alegre, RS: ANPAD. NASCIMENTO, Fernando. Veja alguns benefícios da contratação de profissionais idosos. Site Coisa de Velho. Publicado em 24/07/2012. Disponível em: http://coisadevelho.com.br/?p=8957#ixzz2UWPoNqIg. Acesso em: 22/05/2013.

OLIVEIRA, S. R., PICCININI, V. C., FONTOURA, D. S., & SCHWEIG, C. (2004). Buscando o sentido do trabalho [CD-ROM]. In Anais do XXVIII Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (pp. 283). Porto Alegre, RS: ANPAD. 
PAIM, Paulo. Estatuto do Idoso. Brasília. Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 2003. 68 p.

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Solange Alves Silva Feitosa - Psicóloga clínica e organizacional, cursando Especialização em Gerontologia no COGEAE – PUC-SP. Experiência de seis anos em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Email: psicologa.solange.alves@gmail.com   

Lucineide Pereira da Silva - Assistente social – PUC-SP, cursando especialização em Gerontologia no COGEAE - PUC-SP. Assistente social no Instituto de Medicina Física e Reabilitação - IMREA HC FMUSP – Rede de Reabilitação Lucy Montoro, na área da saúde. Email: heidysilva2003@hotmail.com   

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